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esponda
à pergunta leitor: o que está lendo? Por que está lendo? Para quê?
Subentende-se que num período anterior a esse, alguém se dispôs a criar esse
“algo” que agora está em suas mãos e que, provavelmente, teve seus motivos. No
entanto, será que aos “porquês” e “pra quês” escrever ele teria resposta? Sob o
peso dessa situação incômoda de “estar no mundo” provavelmente ele encontrou no
ato da escrita uma forma de perenidade, uma válvula, um caminho para escapar.
Por algum tipo de ciência inapreensível será que ele pensa: “- nos rabiscos
sobre o papel, no tempo, na leitura que farão, entenderão que eu dizia
sorrindo: “voialá”?”. Pensaria que alguém, consciente ou inconsciente
descobrirá, aqui nestas palavras, a sua mensagem, esta, que diferente dele,
renascerá a cada leitura, que diferentemente dele, “permanece” e não tem
pressa? Sonha que nessa atividade “há futuro”, mas que não precisa ser
propriamente feliz, que precisaria ser seguro, que precisaria poder esperá-lo.
Escrever
é isso. Sem querer nos adiantamos e, ao dizermos algo, nossa única desculpa
para não nos calarmos está expressa e é válida. Não nos calaremos. Se é inútil?
Se é abjeto? Audacioso? Insípido? Não é problema nosso. É isso, ou se calar.
Está é a escolha mais iminente de quem tem (ou supõe ter) o que dizer. Com todo
o esforço para fugir da melancolia, estas são ideias que estão num lugar muito
mais profundo do que o crivo atual espera e observa. O mundo hoje é imediato.
Ainda que permaneçam os valores intrínsecos, estes, não tem existência senão
para pessoas (o que não é o mesmo que “público”). De fato, há pouco tempo para
ser profundo. A pressa nos exige a eficiência de extrair o máximo de utilidade
no menor tempo. Estamos em tempo de maratona. A vida é correr, ainda que não se
saiba bem para onde.
Propomos
uma parada para observar. Propomos uma olhada ao redor, uma respiração pausada
e uma reflexão: “- vejamos, quê?”. Propomos questionamentos, propomos dúvidas,
o texto espera transcender pela leitura, o leitor deve procurar nele, a sua
criação. É uma troca justa. Primeiro vem o silêncio, depois a linguagem, depois
a cultura com seus temas, as intenções e por último, o novo silêncio. Desse,
você se encarrega. Propomos um movimento por meio desse expediente, estas
palavras, por meio delas, essa é a estrutura que propomos. Palavras.
Periodicamente elas podem chegar até vocês, são um convite. Nossa única
esperança é que ao aceitá-lo de alguma forma algo se modifique. Nada mais.
Confiamos no valor da sua liberdade e na coragem da sua incursão, são apenas
palavras, não há o que temer. Enxergar nesse conjunto, opiniões, paroxismos,
filosofia. São coisas do homem, coisas entre tantas. Uma vez estabelecida uma
relação (almejada) temporária e transcendente entre você e o texto, tudo nos
será grato. Que aí, o movimento, em algum sentido, já se perpetuará.
O
nome dessa publicação faz uma brincadeira com a dualidade consciência/inconsciência.
Também transforma o significado da palavra de forma irônica (que é a linguagem
brincado com ela mesma) e o que seria naturalmente um prefixo com função de
“falta”, separado por hífen ganha uma conotação de “dentro”, referência à
palavra inglesa “in”(dentro), onde o que seria a “falta de consciência” se
transforma em algo “dentro da consciência”. Isso dentre outras leituras
possíveis.
Essa
publicação não tem uma função específica, é pura e simplesmente uma forma de
não se calar. Seus idealizadores planejam modestamente não se calar sobre
coisas de muitas formas, ainda que cientes das impossibilidades. Vocês
encontrarão aqui, crítica, literatura, filosofia, um pouco de cada coisa,
quando, de cada uma, houver um motivo para não se silenciar. Eis tudo.
J.N.Jr.
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