segunda-feira, 23 de março de 2020

Diário da pandemia. Dia IV.

Diário da pandemia. Dia IV.
21/03

Dia estranho. A comunidade tem influência sobre a nossa vida por mais que pareça que a gente se ache deslocado dela. Notadamente comunidade não é o mesmo que sociedade. Deveria haver uma intersecção? Uma interlocução? Predominância? Há de não haver preponderância?
Foda-se a sociedade.
Estou puto porque assisti o vídeo de um excelente cientista que foi bem enfático em demonstrar a falência total da sociedade atual (frente à crise) e do cenário pavoroso que se aproxima. Esse vídeo especificamente me paralisou por uns instantes. Aquele breve espaço de tempo entre a consciência da desgraça e a desgraça da consciência. Não há escolha(ou há mas todas ruins) Cada um é responsável pelo bem e pelo mal. E, sinceramente, quando você olha em redor o que você vê não são pessoas que você gostaria que tivessem esse poder sobre você, sobre quem você gosta, sobre todos nós. O COVID-19 é comunitário. Aparentemente socialista também. Matou o diretor-geral do Santander, matou o dono de um time europeu, matou outras dezenas de milhares pobres que ninguém se importa de contar ou noticiar. Dos dois primeiros, porém, ficaram bilhões de dólares para provar que você também tem o bilhete para o trem que está passando. O difícil é que não é só você que decide se vai embarcar.
Assisti o vídeo enquanto trabalhava, por volta das 7 terminei a versão beta do código, rodei um .configure, gcc de mão posta na fila... fui tomar café. O dia foi nesse tom alarmante. A escória animalesca chamada presidente do Brasil fazendo a merda para a qual foi eleito e que religiosamente ele executa infalível. Os ministros (escória também, mas em menor grau) tentam reagir aos problemas do mundo e os que o patrão causa inutilmente. (Quem sabe se só tivessem que responder a um dos problemas haveria algum sucesso).
A noite chega com aquela angústia estranha de quem anda na prancha dum navio pirata. O tom geral é semi-fúnebre (o som do paredão ainda na rua mostra que deveria ser totalmente fúnebre).
No dia 16 de abril Bernad Rieux tropeça num rato morto, aparentemente nesse país de meu deus nem nadando num mar de ratazanas o povo desperta. Boa noite.

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